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Pequeno Canto

O Azul que vestia a minha filha…
de Mauro Medeiros

Um azul forte,
mais forte que o azul do céu,
com maior movimento que o azul do mar,
um azul de encher os olhos,
como o das mais lindas flores,
das flores azuis,
das miosotis…
O azul que vestia a minha filha no dia de sua formatura!

Um jeito de Avó
de Mauro Medeiros

Um jeito de avó,
que com suas mãos macias me acaricia a cabeça,
alisa-me o rosto,
beija a minha testa
e conta-me um milhão de histórias.
Chama a mim, portanto de sonhador.
Ri das minhas anedotas e das de todos os outros,
conta também as suas, por repetidas vezes,
mas recebemos sempre, como se fosse pela primeira vez.
Alegria viva, alegria sempre, canção e poesia,
“alegria de viver”, como ela mesma costuma dizer.
Sempre a cantarolar uma canção,
sempre a zelar pelos netos,
sempre com um cafezinho,
uma broa de fubá ou um bolinho de chuva a nos servir,
ou um bom conselho.
Sempre a melhor avó,
diferente,
com sua pele marcada pelo “vitiligo”
e o coração tão grande
que lhe aperta o peito a cada batida,
ou de tanta gente que carrega dentro.
O melhor jeito de avó,
a mais rara flor do mais belo jardim,
a poesia de uma avó.
Minha avó Geralda.
Saudade…