É Proibido Fumar
Entra em Vigor Lei Antifumo no Estado de SP
Nova lei prevê severas punições aos estabelecimentos, bares, restaurantes, hotéis, áreas comuns de condomínios… Enfim, bastou ter uma parede e um teto não se pode mais fumar, até os tão conhecidos fumódromos das empresas privadas estão proibidos, é só fazer fumaça em local fechado e estará infringindo a lei.
Quem quiser fumar que o faça ao ar livre, na rua, mas cuidado com quem vem atrás, pode ser um “patrulheiro” desavisado que irá falar poucas e boas, pois muita gente ainda não sabe detalhes da lei.
É claro que campanhas foram feitas e o já tão aclamado Dr, Drauzio Varella foi o grande símbolo e, o que se pode chamar de “garoto propaganda”, para dar mais credibilidade ao ato.
As campanhas foram bem educativas e estiveram em todos os meios de comunicação alertando dos malefícios do tabaco, mas o que não ficou muito claro e por isso fica difícil também de explicar aqui, foi em relação aos detalhes da legislação.
Pois, muitos fumantes sentiram-se excluídos, e seguem em seus questionamentos até mesmo sobre discriminação.
Mas quanto a isso cabe um lembrete:
“O fumante não está proibido de frequentar lugares fechados, desde que não fume, isso não é uma escolha do Estado, como muitos estão falando e reclamando (em sua maioria fumantes), mantendo-se assim o direito de ir e vir, não haverá um fiscal apalpando ninguém nas entradas de clubes, bares e restaurantes, como se fossem seguranças à procura de armas escondidas ou maços de cigarros, ninguém será discriminado, que fique bem claro”.
Caberá às empresas, estabelecimentos e todos anteriormente já citados, o real cumprimento da lei, pois multas severas e a perda da licença para funcionamento estão previstas como punição.
Não há pena determinada ao fumante, mas nem por isso ninguém vai poder acender o cigarro debaixo da mesa, pois a fumaça sobe, e com a intenção de defender o fumante passivo, aos olhos da lei em local fechado é proibido fumar.
E tão logo soem as doze badaladas desta sexta-feira, cerca de 500 agentes da nova lei antifumo, sairão às ruas, para multar os estabelecimentos que permitirem a prática do tabagismo em local fechado.
“500 agentes contra o fumo”, é um efetivo bem reduzido em se tratando de uma lei estadual, mas quem sabe, podem ser semelhantes aos “300 de Esparta”!
Ficam liberados de cumprir a nova legislação os locais de culto religioso em que nos rituais faça parte a prática do tabagismo, as tradicionais charutarias destinadas ao fumo e instituições de saúde, em que os pacientes sejam autorizados por seu médico a fumar.
Ou seja, escolha a sua turma e faça como bem preferir, acredito que muita gente irá se converter a alguns cultos e “dar passagem” para um “Caboclo” ou “Preto Veio”…
Michael Jackson um Menino Perdido
A televisão acaba sendo o principal foco das audiências sobre qualquer acontecimento “a mais”, claro que toda a mídia explora e muito tais assuntos, mas na televisão ganha-se em proporção.
A exemplo disso tivemos recentemente todo tipo de notícia sobre a morte de Michael Jackson, muita coisa que nunca se soube da vida do astro pop veio à tona, virou pauta descobrir detalhes e mais detalhes sobre o ídolo, seu sofrimento na infância por exaustivos ensaios e sua relação com o pai e os irmãos, as plásticas que fez, o vitiligo, pedofilia, casamentos, inseminação, os filhos, o vício aos analgésicos, e até mesmo um fantasma e uma carta psicografada!
Ora, pensando bem, não deve ter sido fácil ser Michael jackson, garoto brilhante e talentoso, um artista genial, inquieto e insatisfeito. Um Peter Pan na Terra do Nunca, na verdade, um menino perdido.
Michael Jackson morreu, mas onde está seu corpo?
O que nos restará dele?
Sua obra permanecerá com certeza, mas e todas essas histórias?
Daremos ao menino, ao astro o devido descanso?
Vamos respeitar sua memória?
O Rei do Pop está vivo em nossa memória. Vamos deixar que os escândalos em sua vida morram, isso sim deve morrer, não sua obra. Vamos esquecer seu pai e lembrar de seus filhos, das palavras de amor de sua filha Paris. E que a televisão em seus programas “populares” deixe de explorar a dor e o sofrimento e de valorizar bisbilhotices.
Exibição

Mauro Medeiros by Vivian Fernandez
Cenas, fragmentos de discursos e resultado de idéias… A câmera registra, documenta, permite a recordação do que foi e sua exibição! Interpretação, direção e reportagens expostas rapidamente em linguagem de portfolio.
Portfolio Mauro Medeiros - Ator
Uma Lição Para Além dos Palcos
Para escrever esta coluna, pensei em como iniciar, sobre quem falaria, o teatro é tão extenso, toda a sua história os “Gregos” nossa eterna fonte, pensei também em Shakespeare, Brecht, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Antunes Filho, mas também gostaria de escrever sobre um autor que conheci, cheguei a trabalhar em algumas de suas peças e acompanhei vários de seus projetos.
Falo de Zeno Wilde um homem de teatro, um dramaturgo como poucos, que nos deixou uma obra pungente, forte, intensa, rica em situações extremas, de personagens deserdados, como em “Blue Jeans – Uma Peça Sórdida”, texto que alavancou a carreira do autor que sempre fez um exame obsessivo do universo marginal, os excluídos, os “sem-saída”, em uma temática realista.
A angústia eterna daqueles que vivem à margem da vida, uma marca que lhe trouxe vários prêmios, com “O Meu Guri”, “Uma Lição Longe Demais”, “Quem Te Fez Saber Que Estavas Nu?”, “Sabe Quem Dançou?”, “Salve O Prazer – Assis Valente” e outros tantos trabalhos. Uma maestria com a escrita, numa carpintaria teatral aliada a busca de soluções aos problemas, de apurado acabamento técnico e artístico.
Foi ele um mestre em minha iniciação em dramaturgia, corrigiu e me apontou soluções em meu primeiro texto “Das Vezes Que Mamãe Chorou”. Zeno era gentil, talentoso, um dramaturgo que buscava formar e informar outros profissionais. Esteve à frente de alguns núcleos de teatro, como o “Núcleo da Lição” que veio logo após a montagem premiada de “Uma Lição Longe Demais” dirigida por Fauzi Arap no ano de 1986, o “Grupo Força Tarefa” de montagens como “Pasolini, A Segunda Morte de Pedro e Paulo” e em “Exagerei no Rímel”, montagem que abordava o humor negro, dando a Daniel Gaggini seu primeiro trabalho como diretor. Esse mesmo texto fora dirigido anos antes por Marcelo Marcus Fonseca, marcando também a sua estréia na direção, um talento, que estreou como ator em “Anjos de Guarda” em 1987, outra peça que Zeno além da autoria assinava também a direção.
Zeno tinha também verdadeira paixão pelo cinema, e Luchino Visconti era um de seus diretores prediletos. Lembro-me ainda de uma longa conversa que tivemos após uma sessão de “Rocco e Seus Irmãos”, Zeno não se cansava de falar sobre algumas seqüências do filme, coisa que recordamos mais tarde em sua última direção, na qual reunia textos de Pier Paolo Pasolini e criou o mais belo trabalho de que participei, “Pasolini, A Segunda Morte de Pedro e Paulo”, Zeno foi brilhante, parecia mesmo se despedir, mostrava ali seu amadurecimento, passeava leve sobre o texto amarrando muito bem cenas e situações, dirigindo os atores com firmeza, marcando o espaço cênico, recriando um universo e “atmosferizando” o espetáculo, conduzindo a todos em sua viagem ao seu teatro e por suas histórias.
Zeno Wilde nos deixou um legado, em que poderemos sempre analisar um significado, uma preocupação concluindo-se numa tela hiper-realista, um passeio poético num teatro feito com rigor, uma linguagem a ser entendida por aqueles que procuram mais do que a simples diversão nas salas de espetáculo.
Zeno Wilde partiu no ano de 1998 para “outros palcos”, 51 anos após a sua estréia nesse lugar em que não sabemos ainda para onde nos conduzirá.
Homemúsica de Michel Melamed

Michel Melamed - Foto: Divulgação
Vendido Separadamente
Em cena um ator, cantor, músico, performer, poeta… Enfim um interprete.
Michel Melamed que contextualiza nesse espetáculo o final de uma trilogia, iniciada com Regurgitofagia e depois Dinheiro Grátis, que são de forma sutil e oportuna, citadas e relembradas em vídeo numa espécie de programa de TV desses que exploram as desgraças cotidianas de maneira demagógica e sensacionalista.
O espetáculo Homemúsica embora faça parte de uma trilogia, pode ser “vendido separadamente” e apreciado por sua qualidade e de seu interprete e idealizador, que com total habilidade “incorpora” ao contexto qualquer tipo de imprevisto de última hora, problemas técnicos sempre presentes em uma estréia, é dessa forma que se percebe o real envolvimento entre o espetáculo e seu interprete e condutor.
Michel Melamed é um ator que apresenta algo novo, buscando um diferencial em seu trabalho, seja realizando ou criticando a si mesmo, e conduzindo sua crítica aos demais pontos abordados, numa integração às várias linguagens que utiliza em cena.
Ator que conduziu com sucesso a minissérie Capitu, de Luiz Fernando de Carvalho na Globo, interpretando Bentinho e Dom Casmurro com propriedade e talento, merece os olhares do público que sempre precisa apreciar um bom espetáculo.
Pois então vá ao teatro e entenda a história de Helicóptero o Homemúsica a parte final da Trilogia Brasileira de Michel Melamed.
E bom espetáculo!
BREVE RESUMO:
Composto de prólogo, sete capítulos e epílogo, Homemúsica narra a trajetória de Helicóptero, um jovem brasileiro com um dom único: de cada parte do seu corpo é emitido o som de um instrumento musical. Nascido no Interior de um destes brasis, a fim de fazer-se cumprir como artista ele ruma ao Sul-Maravilha para participar do programa de maior audiência da TV brasileira: o Show do Estupra. As coisas, porém, não acontecem como previstas e, ao invés do reconhecimento, Helicóptero encontra o amor e, então, o desamor. “E haverá tema melhor para uma canção?”, pergunta o poeta.
SERVIÇO:
Teatro Anchieta do SESC Consolação às 21 horas.
Temporada até dia 29 de março (Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h).
Ingresso: R$ 20, 00 (inteira),
R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino)
R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Duração: 75 minutos.
Capacidade da sala: 320 pessoas.
Censura: 14 anos.
Direção, texto, canções, guitarra e voz: Michel Melamed*.
Contra-baixo: Edson Menezes. Bateria: João Di Sabbato.
Direção musical: Lucas Marcier/ Estúdio Arpx.
Iluminação: Adriana Ortiz.
Cenografia e adereços: Natalia Lana.
Direção de movimento: Dani Lima.
Projeto gráfico e videografismo: Olívia Ferreira e Pedro Garavaglia/ Radiográfio.
Preparação vocal e técnica de Alexander: Gabriela Geluda.
Assistência de direção: Vitor Paiva.
Direção de produção: Bianca de Felippes.
Produção: Bianca de Felippes e Michel Melamed/ Paralalepípedo Produções Artísticas.
Realização: SESC São Paulo.
Espetáculo contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz para desenvolvimento de pesquisa.
Mais informações em www.michelmelamed.com.br.
TEATRO ANCHIETA
Rua Dr. Vila Nova, 245.
Tel: 3234-3000.
Capacidade – 320 lugares.
Ar condicionado e espaço para deficientes físicos.
Aceitam-se cartões de crédito (todas as bandeiras) e cheques de todos os bancos.
Bilheteria – De segunda a sexta, das 12h30 às 21 horas,
sábados, das 9 às 21 horas e aos domingos, das 14 às 20 horas.
www.sescsp.org.br