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Identidade Digital

Lá De Onde Eu Venho
de Mauro Medeiros

Lá de onde eu venho,
a gente tem esse jeito de falar manso,
de falar de amor,
de falar da paixão,
de falar da tristeza
que às vezes aperta e machuca o peito da gente.

Lá De Onde Eu Venho

Lá de onde eu venho,
a gente pisa na terra desde pequeno
e depois aprende com as mãos a lidar nela
plantando o que comer
e flores bonitas pra colher.

Lá de onde eu venho,
a gente faz poesia quando acorda para o dia
e na noite, observa a lua,
que lá de onde eu venho,
surge no céu, bonita,
clareando o vale que a minha gente habita.

A Minha Flor
de Mauro Medeiros

…Observo por um momento a flor
que antes, alheia aos meus olhares,
distante eu via,
agora próximo,
posso tocá-la,
colher dela o perfume, sentir de suas pétalas a suavidade,
trazê-la em meu jardim
que dela é feito.
Distante a flor aos meus olhares,
chama a minha atenção,
quando no céu observava a lua
que na noite brilha (pequena) lua minguante,
alegrando assim,
a flor (do meu jardim),
que guardo agora no peito
junto da lua pequena,
que por entre os dedos de Deus,
saía ela também para observar distante
a minha flor…

Algumas Coisas
de Mauro Medeiros

Algumas coisas…
Flores, palavras, gestos,
uma oração, um beijo seu,
um perfume distante, solto no ar,
ou por entre flores,
um toque quase que imperceptível,
tão suave quanto a brisa da manhã que acaricia o rosto.
Algumas coisas,
que acabam por tocar profundamente a alma,
trazendo lembranças,
recordações,
fazendo o tempo voltar e com ele imagens,
como as de um filme antigo,
imagens minhas e suas,
do que passamos,
do que tivemos.
É assim que me recordo de você,
por algumas coisas.

Aos Sonhos Nos Entregamos
de Mauro Medeiros

… Não sei rezar.
Admiro então as estrelas,
que com seu brilho a noite iluminam.
Admiro o chão que piso,
que sólido sustenta o meu peso.
Admiro o orvalho,
que vem com a manhã e umedece os campos e as flores.
Admiro o menino que fui,
e peço desculpas dos sonhos que não pude me dar.
Pois que aos sonhos nos entregamos,
deitamo-nos feito moças em seus braços,
somos seus prisioneiros, por vezes suas vítimas.
Mas à sua menor realização,
erguemo-nos vitoriosos e seguimos uma vez mais,
prometendo-nos novos sonhos,
admirando nossas escolhas,
admirando-nos ainda meninos, sonhando…
Aos sonhos nos entregamos.

Autorretrato
de Mauro Medeiros

Os cabelos curtos, já foram longos,
Quase negros agora apontam alguns fios brancos,
Os olhos de um castanho escuro em formato amendoado,
Muitas vezes cobertos por óculos,
Prontos para observar o mundo.
Nariz! O meu nariz…
Lábios grossos,
Sorriso largo!
Pele morena herança da mistura de espanhóis, árabes, portugueses e índios.
Sempre pensativo…
Falar manso,
Apaixonado pelo que faço,
E embora distante, ainda sou um homem de teatro, sou artista,
Sou amante,
Sou poeta…
Um sonhador, como dizia a minha avó…
Quase viro música!
Eu não sou o melhor pai do mundo,
Embora a minha filha acredite que sou.
Não sou o melhor filho,
Pois saí cedo de casa guardando na lembrança as manhãs com o meu pai…
E ainda choro de saudades a “perda” de minha mãe, sua morte prematura…
Não sou o melhor irmão,
Sou apenas o que pede mais ajuda e carinho, talvez pela distância física…
Não sou de muitos amigos,
Mas carrego cada um apertado em meu peito.
Não sou o melhor namorado, mas procuro um peito manso
para acolher meu coração perdido.
Sou aquele do olhar para o horizonte,
Sou menino…

Sem Minhas Histórias
de Mauro Medeiros

Hoje estou como em outros tantos dias…
Por um momento, estive iludido
Pela diferença,
Mas estou como em tantos…
Sozinho…
Querendo gritar,
Voar por sobre as coisas,
Fugir sem me deparar com a solidão,
Chamar por pessoas
De outros momentos,
Outras histórias…
Tocar seus sonhos,
Os meus olhos nos seus,
Mas em meus sonhos
Sou sem amor,
Não sou o herói do mundo,
Da vida,
Não sei onde está o meu tempo…
Sem minhas histórias,
Não sou mais o Anjo que voa no céu.

Em Silêncio
de Mauro Medeiros

Não ouvi a voz da noite!!!
Pensei por algum instante,
me sentir atraído por uma lua que não se mostrava,
seu brilho não vi,
as estrelas se negaram a emprestar-lhe…
Uma lua em noite escura.
Que faz a moça na janela, sem na rua poder olhar?
Que faz o jovem casal junto ao portão, sem os olhos poder fitar?
Que faz da noite, sem a lua poder chamar?
Lua que não brilha,
sem desenho no ar,
esconde o seu rosto,
sem a noite iluminar…
Esconde o seu corpo de mim,
sem na noite poder tocar…
E nas árvores das folhas que se agitam ao vento,
ouço a pequena voz partir,
a pouca voz de alguns dias,
procuro escutá-la novamente,
mas vai longe…
Parte na noite escura,
Parte junto da lua sem o brilho mostrar.
Em silêncio,
a pequena voz que não quis na noite sem lua cantar.

Por Seus Pés Molhados
de Mauro Medeiros

Por seus pés molhados é que a chuva veio,
Não se importando com o que mais molhava,
Nem por onde mais caía
Fez-se água forte
A chuva para molhar seus pés,
Permitindo que seu rosto
Também molhado um pouco ficasse…
Do qual saltavam seus olhos,
Amostras do oceano ou
De um canto do céu…
Por seus pés molhados é que a chuva se foi,
Sentindo que daqui partia,
Cessou então,
A forte chuva que caía
Pois seus pés,
Não mais aqui molhar podia.

Sempre e Tanto
de Mauro Medeiros

Faço um pedido ao vento, que sopre em seus ouvidos palavras minhas…
Começaria tudo novamente,
desceria do céu,
atravessaria as nuvens,
flutuaria sobre as ondas,
deixaria que o vento me ajeitasse,
e pousaria solto em seu jardim,
colheria as mais diversas cores
e um perfume leve como a brisa,
pediria de volta a minha vida,
seria mais feliz
e em seguida dançaria.
Festejaria a alegria de voltar a viver,
levaria meu corpo para fora,
para a luz do Sol,
andaria por ruas e lugares,
chamaria a atenção de toda a gente,
abraçaria a todos que encontrasse
e os levaria em meu sorriso,
iluminaria a noite com o brilho do meu olhar,
vestiria-me com as pétalas das flores
e me apresentaria a você…

“- Sou aquele do amor sem fim, o peregrino de outras horas, que canta, dança e ri…
Sou o bardo formoso, a perturbar na noite o silêncio com palavras belas.
Sou o que pensa em ti.”

Agora vem e dança novamente comigo,
solta e leve,
vamos criar novos passos
e dançar a nossa música,
que a muitos perturba
e a tantos agrada,
mas que só a nós importa.
Vamos felizes, sempre e tanto.

Voltar aos Sonhos
de Mauro Medeiros

Eu preciso um pouco mais de mim,
voltar aos sonhos de antes,
olhar por um momento;
como quem observa do alto o que já foi feito,
o que ficou para trás,
olhar sem demora,
sem melancolia,
sem abandonar as flores,
abraçar o meu coração,
mesmo se o encontrar em outro peito,
senti-lo pulsar
e entrega-lo aos sonhos…

Quando Sinto Nas Flores Brotarem os Espinhos
de Mauro Medeiros

Duas mãos apertam-me o peito, espremendo meu coração,
dois olhos não me enxergam, quando lanço-me à frente deles,
lábios que oram por mim,
não mencionam o meu nome,
caminho abaixo dos pés,
que nesta noite não me conduzem,
perco-me em pensamentos,
sem que neles entenda-me,
desloco-me no ar em vôo,
deixando minhas asas longe da flor,
fujo dos espinhos,
machucando-me assim mesmo nas pétalas,
caio longe de mim,
onde eu mesmo não me sinto,
sou quem não sei,
quando sinto nas flores brotarem os meus espinhos.