RSS Feed

Este é o Lugar Mais Cruel Deste Planeta

Postado em em Artigo por Mauro Medeiros
Centro SP - Foto: Mauro Medeiros

Centro SP - Foto: Mauro Medeiros

Este é o lugar mais cruel deste planeta, não se usa nem lápis, nem papel e nem caneta.
Crianças em situação de rua que desde muito cedo são notícias dos jornais em matérias policiais.

Estatuto da Criança e do Adolescente
Art. 4º
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Art. 5º
Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art. 15.
A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Art. 19.
Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.

Não “tem” hora para que essas crianças sejam resgatadas e recuperadas em escolas,
lares e locais que possam abrigar seus sonhos, fantasias, desejos e liberdade.
Há um avanço numeroso nos casos envolvendo esses menores, essas crianças que devem fazer parte da esperança do nosso novo momento político do país.
Não pretendo entrar em discussões e pormenores, citando aqui números e estatísticas,
mesmo porque é cruel demais saber que existem pessoas para “contar” e transformar em números essas crianças, sem que nada mais seja feito.
Mas o importante é que se faça algo agora por essa nossa população, que longe de saberem ser números de uma estatística, são crianças que procuram com o seu olhar singelo um abrigo, que não sejam as caixas de papelão espalhadas pelas calçadas em territórios dominados pela brutalidade do abandono, pela degeneração de um cachimbo feito de latinha de refrigerante, para que uma pedra tóxica e corrosiva dê a elas a ilusão na alucinação de um prazer inexistente, em que uma dependência se faz dor, “travestida” de felicidade.

Sempre haverá uma maneira de chegar até uma família, de tirar uma criança da condição de abandono, da situação de rua. Mas nada será feito sem vontade e dedicação, sem luta, porque fica muito fácil apenas baixar o vidro do carro e jogar uma moeda, para que aquelas mãos miúdas, que exibem certa habilidade “malabarística” ao controlarem três ou quatro pequenas bolas lançadas por elas ao ar, recolham-nas, e assim, achamos que “fizemos a nossa parte”.

– Dei um brinquedinho, no farol, a uma criança, que me sorriu e saiu contente!

Uma criança que talvez esperasse um pouco mais de mim e de todos que passam por aquela esquina, que passam pela sua vida e nem a notam, ou então sentem por ela medo ou dó.
Uma criança que talvez desejasse uma simples brincadeira de “passar o anel” para que ela pudesse fazer o seu pedido, esperando que o seu desejo se realizasse.
Uma criança que talvez só desejasse um carinho de mãe ou de pai, ou do irmão, que da mesma forma que ela tenha os mesmos desejos, sem conseguir realizá-los.
Uma criança, como tantas outras, como os nossos filhos, que são só Crianças…
Talvez uma criança possa mesmo estender a sua mão e encontrar outra que a conduza, e nem precisemos mais recorrer aos céus, como medida emergencial…

Be the first to comment.

Comentar